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Operafest no Convento da Cartuxa

A 6ª edição do Operafest tem como tema “Amores Proibidos”, decorrendo em torno do amor, esta força avassaladora que “arde sem se ver” e que move a existência humana.

Entre Oeiras, diversos espaços culturais de Lisboa (Aula Magna, Culturgest, Âmbito Cultural do El Corte Inglés, Cinemateca Portuguesa) e o Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, o Operafest 2025 arrancou em Oeiras, na cenografia perfeita do Convento da Cartuxa, em Caxias. Recebeu a 7, 8 e 10 de Agosto, uma das óperas mais consideradas de sempre, “La Traviata” de Giuseppe Verdi (1853), a partir do livro “A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas Filho.

Esteve presente um elenco internacional de luxo, com encenação de David Pereira Bastos, sob a batuta do maestro Osvaldo Ferreira, ambos bem acompanhados pela Orquestra Filarmónica Portuguesa e ainda, alguns nomes de grande qualidade no meio da ópera: Darija Auguštan (a soprano), Ermin Ašćerić, Christian Luján, Luís Caetano, Nuno Fonseca, Luís Mayer-Bento, Alexandra Calado e Laura Matadinho.

Uma das formas artísticas mais expressivas da Europa, nasceu no início do século XVI, em Itália. A ópera é uma arte que combina o canto com o teatro e, por vezes, também a dança. Já os seus enredos são, na maioria das vezes, trágicos, apesar de também existirem obras de carácter cómico, mitológico ou histórico.

Em Portugal, a ópera é celebrada com este festival que já vai na 6ª edição, conhecendo o seu início em 2025, a 7 de Agosto, com o concelho de Oeiras a ser, pela segunda vez

consecutiva, escolhido como palco para a sua realização, desta vez com quatro espectáculos.

No ano passado, o festival decorreu nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, mas este ano a novidade foi a sua nova localização. O Convento da Cartuxa, em Caxias, recebeu “La Traviata” de Verdi e uma Rave Operática (no dia 8 de Agosto). Lisboa e Sintra brindaram o público, este ano, com “Dido e Eneias” de Henry Purcell, “Julie” de Philippe Boesmans e “A Flauta Mágica” de Mozart, terminando o evento no dia 16 de Setembro.

Nos últimos anos, o Operafest tem vindo a afirmar-se como um importante festival de ópera a nível europeu e uma montra de talento nacional, cruzando tradição e vanguarda.

Para a organização, este convento, é o mais perfeito ambiente para ter recebido o momento de abertura do festival.

O Convento da Cartuxa foi fundado no século XVII, em terrenos doados por D. Simoa Godinho (nascida talvez, em 1530), filha de um dos primeiros colonos de São Tomé e Príncipe e casada com o fidalgo D. Luís de Almeida. Quando morreu, em 1594, deixou à Santa Casa da Misericórdia a sua herança, da qual fazia parte uma quinta em Laveiras, Caxias, com o objectivo de lá ser fundado um convento.

Convento da Cartuxa

Então como Mosteiro Santa Maria Vallis Misericordiae bem designado, era constituído pela igreja, antecedida por largo adro, dando acesso a todo o conjunto, mais suas dependências monásticas anexas, até se encontrar o claustro principal, em torno do qual se distribuíam as celas dos padres.

O amplo recinto terá depois mantido a delimitação primitiva da segunda metade do século XVII, pensada como forma de respeito pelas exigências de silêncio e solidão da clausura cartusiana.

Pelo interior do convento, conhecem-se algumas descrições quanto ao seu anterior acervo, o qual incluiria uma tela de Francisco Vieira Lusitano e outras de Domingos Sequeira, este que ingressou por aqui, em 1796, aí permanecendo até 1802.

No seu recolhimento, pintou uma série de cinco telas de grande dimensão, com os passos da vida de São Bruno (fundador e patrono dos Cartuxos) e de outros santos eremitas (Santo Onofre, São Paulo e Santo Antão): “A conversão de São Bruno”, “São Paulo com Santo Antão no deserto”, “São Bruno em oração” e “Comunhão de Santo Onofre”.

A Cartuxa de Laveiras chegou ao século XIX, enfrentando diversas vicissitudes, incluindo as Invasões Francesas, a Revolução Liberal de 1820 e, em 1823, uma primeira tentativa legislativa de supressão do mosteiro, de tal forma que poucos monges aí estavam quando a casa foi abandonada. Em Março de 1834, a extinção definitiva do mosteiro levou à sua venda e demolição parcial. Voltaria à posse do Estado, servindo como alojamento de destacamentos da Engenharia Militar e, depois, nas funções a uma Casa de Correcção, actual Centro Educativo Padre António de Oliveira.

As obras de adaptação conduziram a mais demolições e à anexação de edifícios modernos, mesmo antes do conjunto monástico receber a Escola Preparatória de Caxias, a qual aí funcionou até 2001 e motivou a construção de pavilhões pré-fabricados, no claustro grande. Em 2012, foi aqui parcialmente filmado, “Comboio Nocturno para Lisboa”, uma co-produção alemã, portuguesa e suíça, com Jeremy Irons a ser o actor principal.

Em 17 de Fevereiro de 2021, foi assinado o auto de cedência ao Município de Oeiras, pensando este em requalificar aquele património abandonado há demasiado tempo, o qual permite albergar inúmeras valências culturais e artísticas.

Luís Amorim

(escreve de acordo com a antiga ortografia)

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