Elsa Santos lendo um texto de sua autoria, em mais uma edição d'A Cultura Vai ao Mercado.
Nossa GenteOpinião

Ode a Oeiras


Memórias de lugares e sensações que vi e senti em forma de viagem

Autoria: Elsa Santos
Edição 60, Agosto de 2025

Fotografia de Elsa Santos

“Não faças muitos planos para a vida pois a vida pode ter os seus planos para ti” já dizia Agostinho da Silva.

Citando David Mourão Ferreira “E por vezes as noites durou meses, e por vezes os meses oceanos, e por vezes podemos encontrar em nós, em poucos meses o que a vida nos fez em tantos anos” e aqui em Oeiras surgiram caminhos, de forma inesperada e todas as viagens tem um início.

E a Vós partilho esta viagem através dos apontamentos da minha alma.

Era uma vez a Susana e a dona Lourdes, duas Mulheres extraordinárias na alma e sapiência, que movidas pela mística de Lima de Freitas, precursor na unificação da Arte e Ciência, se conheceram na icónica Livraria Municipal Verney.

E por dessa amizade, meses depois, foi me apresentada uma oportunidade, a resposta foi sim com profunda gratidão, vir trabalhar dois meses em Oeiras no verão.

“E tudo vale a pena quando a alma não é pequena” e a minha missão seria cuidar de sábia Anciã Senhora Helena.

Pensava eu que Oeiras seria uma vila elitista, mas estava tão enganada aqui vibra o espírito humanista.

Comecei a recordar Coimbra e a minha mocidade e a resgatar o idealismo do qual tinha tanta saudade.

Ao passear pela vila observo traços, de tradição familiar, em moradias lado a lado seja na casa da Maria Helena e Maria Isabel ou do Fernando e Eduardo.

Antes de chegar à praia de Santo Amaro, encontro o Teatro Independente ainda nenhuma peça assisti, mas ficou claro. Temas polémicos com espírito irreverente.

Ao atravessar o túnel pintado em tons de mar, geralmente encontros crianças, a doce Infância, ao fundo a torre de Bugio inspira o momento para fotografar e começo a sentir a presença do mar na sua fragrância.

Chego ao intenso Passeio Marítimo na companhia da minha solitude ao presenciar tanta actividade é legítimo afirmar, caminhar ou correr da saúde.

Avisto o areal colorido com as cores de várias instituições, crianças felizes neste tempo prometido criam memórias ao longo de gerações.

Oeiras defende e age em nome de integração através do projeto praia acessível a pensar nos que têm dificuldades na locomoção, com recursos tomar banho no mar torna-se possível.

Devagar devagarinho vou fazendo por vezes o caminho e neste ritmo posso encontrar um cão para lhe fazer um carinho.

Elsa Santos lendo um texto de sua autoria aquando da sua despedida (temporárea) de Oeiras, em mais uma edição d'A Cultura Vai ao Mercado. 
A seu lado, o músico Jorge Mendes e um guitarrista de guitarra portuguesa.

Na parede de uma estrutura centenária avisto quadros da universidade incentivando ao espírito crítico consciência e solidariedade.

Afasto-me um pouco para contemplar o Forte, um dos vários que se avista no passeio pela marginal, invocando tempos em que entre vida e morte se defendeu a independência de Portugal.

A próxima paragem é o complexo Inatel, com atividades para todas e qualquer idade, permitindo que sonhos outrora no papel se transformem em momentos e férias com qualidade.

Estou a chegar ao porto de Recreio de Oeiras “o regaço a que regressa depois de todas as tempestades” passear pela Marina é um privilégio e diria mesmo, é medicina.

Contemplo a praia da Torre e o Mar Profundo, mas se olho para o lado, área militar, acesso reservado nas minhas costas, ali imponente na Terra imagino que os problemas do mundo estão a ser debatidos pelos senhores da guerra, suspiro… Desejamos a Paz não um ultimato, mas Cinciberlant recordas o poder que tem a NATO.

Agora o caminho pelo passeio marítimo é diferente e Oeiras convida a viajar até 1975 e ao verão quente e no caminho até Paço d’Arcos este mural é sem dúvida um dos seus marcos. Sentido respeito ao avistar o passeio da Democracia, retratos de luta poder sangue ideais e Utopia.

Mas nas viagens feitas, na rotina matinal, nem todos os caminhos me levam. A Marginal de Oeiras tem lindas e perfumadas flores, no seu Jardim e é um privilégio, estar tão perto de mim e dos ideais de democracia. Recuamos até ao esplendor da Monarquia, o Jardim do Palácio do Marquês de Pombal referência arquitectónica a nível nacional, aí caminhei perdida no tempo e na hora a analisar a história e arte, e, também a Flora.

Levo poemas na mão, e desejo um lugar descobrir, a tão aclamada e mística Cascata dos Poetas aí envolvida na energia, ao ler pude sentir as palavras ganharem vida e a voarem como setas.

Foto de Elsa Santos numa igreja.

E neste jardim entre estátuas, bustos e recantos, muito há para ver, mas inebriada pelo aroma no ar fui até adega do Marquês e o vinho Carcavelos conhecer.

Percorri o caminho onde em barricas de carvalho está a envelhecer, mas quem diria que no farol do Bugio o processo também pode acontecer, de volta ao presente, Oeiras Valley é a marca que envolve empreendedorismo, como Centro de inovação científico e Tecnológico mas em Oeiras também há um complexo Arqueológico e o nome que nos vem logo a ideia o povoado pré-histórico em Leceia.

Volvidos 30 anos da sua existência, pela primeira vez no Parque dos Poetas, fui caminhar, cada poema que lia conectava-me a sua essência, em êxtase fui no regaço de Florbela me encontrar.

Levantado do chão um poema, em forma de folha, todo eufórico voou do parque dos poetas até ao centro histórico ouviu dizer que aqui não se fala de equações ou teoremas e que há uma árvore cujas folhas são poemas.

De repente, no silêncio, ouve-se um grito lá para os lados do Palácio do Egito, vem sentir a revolução e traz um cravo na mão.

Sou um ser de introspeção, rituais e gosto de, ao Domingo, participar na Eucaristia é um compromisso que faço comigo, aqui, no interior da igreja Matriz encontrei e paz e fui feliz.

Em frente à igreja vejo corações por isso és a rua dos amores a abençoar casamentos, uniões com a beleza da suas cores.

No largo, à porta da Gatafunho, oiço uma gargalhada. Miúdos e graúdos a escutar uma história, uma manhã familiar animada daquelas que ficam na memória.

Caminho junto ao carro blindado agradeço estar ali parado houve tempos em que o Chaimite em ação foi impor um limite.

E a alguns passos, quase que encostado, encontra se em Oeiras o seu Mercado, aos sábados pela manhã acontece algo muito especial é o momento de Confraternização da Tertúlia Cultural.

Foi em Julho, dos avós o seu dia o primeiro que aqui entrei, para ler Poesia.

E depois desta viagem cheguei aqui e agora já vai longa a mensagem, está a chegar a hora não podia esta viagem/ contemplação encerrar sem mencionar profunda gratidão todos os poemas que escutei de vós com tanto sentimento não vão encontrar na distância terra fértil para o esquecimento.

Aqui senti o calor humano na forma como fui recebida, nos afectos não há engano, nutrem laços para a Vida.

A Poesia saiu a rua, é de todos, ela é minha ela é tua, Oeiras tem o coro de Santo Amaro que tem uma missão especial, transmitir esperança, amparo, ao desejar, a todos, um Bom Natal.

Elsa Santos

Quer receber as nossas notícias em primeira mão?

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade
publicidade roberta siqueira assessoria documental

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *