Os 10 Mandamentos da Serenidade

Na vida nem tudo é matemática pura e dura. Às vezes subtraindo, nós estamos a multiplicar.
Ao retirar ou diminuir certos estimulantes da sua vida, em poucos dias irá sentir mais serenidade no olhar, mais energia vital própria do organismo, maior controle das suas apetências e vícios.

Hoje em dia pela vida acelerada que levamos nos aglomerados urbanos, nem sempre damos o devido valor ao dormir bem ou a um coração sereno.
Indo na contra-mão da sensatez, a sociedade atual e estilos de vida modernos fazem-nos crer que precisamos a toda a hora de estar activos e para isso usamos todo o tipo de estimulantes. Os cidadãos são relutantes em acreditar que um repouso eficaz à noite é mais importante para a saúde geral e para uma longevidade equilibrada, do que andar a mil à hora para trás e para a frente. Temos pressa para quê!? Para morrer de cansaço!?
Muitas das doenças degenerativas do cérebro que proliferam atualmente na sociedade são, não raras vezes, o reflexo de um não escutar o corpo quando ele dialoga connosco. Ele avisa que não está conseguindo dormir bem, ou que uma articulação dói há mais de dois meses, ou que anda a ter torcicolos recorrentes, explicando com alguma morbidez corporal e emocional que todos esses sintomas não são naturais.
Quando forçamos a máquina a trabalhar demasiado e não lhe damos tempo para recuperar do esforço ou desintoxicar das toxinas acumuladas pela poluição atmosférica, pesticidas dos alimentos, metais pesados, entre outros disruptores do organismo, a tendência é debilitar o sistema imunitário e envelhecermos mais rápido do que era suposto.

Nesse sentido, e tendo em conta igualmente a possibilidade iminente de uma terceira guerra mundial, trago hoje os Dez Mandamentos da Serenidade recomendados por Sua Santidade, o Papa João XXIII, conhecedor das fraquezas e dificuldades do homem, em se comportar serenamente.
Apesar de ter sido uma figura algo polémica em algumas das suas ações como Papa desde 28 de outubro de 1958 até à data de sua morte, ficou conhecido como o “Papa da Bondade” e estes dez mandamentos são preciosidades que valem a pena ser lidos, examinados e quiçá, caso lhe faça sentido, praticados:

  1. – Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver os problemas da minha vida, todos de uma vez;
  2. – Só por hoje, terei o cuidado de tratar todos com delicadeza; não criticarei nem pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim próprio;
  3. – Só por hoje, sentir-me-ei satisfeito, com a certeza de ter nascido para ser feliz, não só na vida eterna, mas também neste mundo;
  4. – Só por hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem aos meus desejos;
  5. – Só por hoje, dedicarei alguns minutos do meu tempo a uma boa leitura, porque tal como é preciso alimentar-me para fortalecer o meu corpo, também a leitura é necessária para fortalecer a vida da minha alma;
  6. – Só por hoje, praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém;
  7. – Só por hoje, farei algo que me custe fazer e se alguém for inconveniente para comigo desculpá-lo-ei;
  8. – Só por hoje, procurarei cumprir com todas as minhas tarefas. Talvez não as execute com a máxima perfeição, mas vou porém resguardar-me de duas calamidades, a pressa e a indecisão;
  9. – Só por hoje, ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, ainda que as circunstâncias indiquem o contrário;
  10. – Só por hoje, não terei receio de acreditar que a bondade não se ausentará do coração do Homem, e que tudo farei para usufruir de todos os momentos belos que a Natureza e o Homem me possam proporcionar.
Os 10 Mandamentos da Serenidade

Independentemente de o leitor ser católico ou não, – eu mesmo não sou, – religioso de qualquer outra filosofia espiritual ou até ateu, de certeza que quem se orientar por estes Dez Mandamentos da Serenidade, viverá mais em paz consigo mesmo e com os outros, e todos temos consciência que, se há algo que o mundo hoje precisa, é de paz.
Apesar de alguns destes mandamentos serem desafiantes a vários níveis, lembre-se daquela velha máxima que “querer é poder.” Se mesmo assim faltar ânimo, lembre-se que nem sempre é fácil controlar a mente pela mente. A mente controla-se respirando mais calmamente. A mente é como um macaco que pula de galho em galho, caso não lhe soubermos colocar uma trela. “Nada nos cansa mais do que a nossa própria mente,” disse um mestre indiano chamado Vivekanda que mostrou que é importante acalmar os estimulantes e os pensamentos, aprender a meditar e a respirar consciente e profundamente.
Mas ao que é que eu me refiro quando falo em estimulantes? Falo no abuso vigente de cafeína, de açúcar, de tabaco, de álcool e outros entorpecentes; Falo do excesso de informação na comunicação social que entra pelas nossas mentes ao longo de todo o dia e pela noite a dentro.
Não precisamos de ser radicais e virar monges, mas aquilo que é importante reter é que de vez em quando todos nós precisamos de pausas na rotina desenfreada, para o corpo e a mente acalmarem e ponderarem melhor qual o caminho mais pertinente a seguir. A busca de equanimidade em tudo, é vida longa com saúde.

Na vida nem tudo é matemática pura e dura. Às vezes subtraindo nós estamos a multiplicar.
Ao retirar ou diminuir certos estimulantes da sua vida, em poucos dias irá sentir mais serenidade no olhar, mais consciência dos efeitos nem sempre benéficos dessas substâncias no seu corpo, mais energia vital própria do organismo, mais foco e clareza mental, mais leveza, agilidade física e intelectual e sobretudo, maior controle das suas apetências e vícios.

Há uma série de perspectivas da vida que só nos apercebemos quando o coração bate mais devagar e a serenidade toma conta do nosso respirar. Já dizia Bertrand Russel que “o mundo é cheio de coisas mágicas pacientemente esperando que a nossa percepção fique mais aguçada.”
Nesse sentido, o meu conselho como profissional de Naturopatia para os próximos meses, março e abril de 2022, é estudar bem estes Dez Mandamentos da Serenidade com um décimo primeiro formulado por mim que é: moderar a quantidade de informação que consome nas redes sociais e televisão. Há muita coisa interessante e pode-se aprender bastante com a tecnologia, mas uma coisa é estarmos informados, outra coisa é afogarmo-nos em notícias que espalham medo, terror e desamor. Uma coisa é navegar na internet, outra coisa é naufragar nela.

A coragem, a resiliência e a paciência, abrem portas que o medo e a preocupação insistem em querer fechar. Todos nós já passámos fases menos fáceis na vida e estamos aqui para contar as histórias. É mais fácil alcançar a paz de espírito trabalhando desde o nosso interior do que querer mudar muito o exterior. O mundo é um pouco de cada um de nós, por isso, se cada um cultivar a sua serenidade, estou certo que em breve poderemos colher dias de mais amor, fraternidade e tranquilidade. Importante é regar a esperança com atitudes de boa-aventurança, tal como também nos ensinam estes mesmos dez mandamentos.

O meu nome é Bruno Gonçalves, sou Naturopata e Acupuntor de profissão e a partir de hoje estarei aqui no Voz de Paço de Arcos para partilhar autoconhecimento na área das Terapias Holísticas e Tradicionais.
Se tiver dúvidas ou quer esclarecimentos dentro desta área, escreva-me para este mail:
brunonaturopata@gmail.com
Se se proporcionar eu responderei a algumas dessas questões nos próximos artigos.
Bruno Gonçalves

A Voz Impresso | Série: 3| Nº: 39| fevereiro| 2022| Autoria: Bruno Gonçalves| Imagens: Bruno Gonçalves

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