É preciso ter paciência

“É preciso ter paciência”, dizem eles. Decerto que já todos nós ouvimos este comentário. Arrisco-me a dizer que, pelo menos mais do que 76 vezes na vida. No mínimo, vá. E porquê? Porque viver implica isso mesmo, esta virtude de… ter paciência. Ter paciência com os vizinhos ruidosos, ter paciência com os choros de bebés nos restaurantes, ter paciência com aquela roupa que já vai com dois dias de estendal e que nunca mais seca. Já disse muitas vezes a palavra “paciência” neste texto, não foi? Pois é, mas vamos continuar. É preciso ter paciência com o nosso companheiro ou companheira porque às vezes só nos apetece atirá-los da janela, de um 1º andar, claro. Também não vamos ser extremistas, que doidos varridos já andam aí muitos. É preciso ter paciência para aquelas embalagens de abertura supostamente fácil, mas que nos fazem perder 7 preciosos minutos de vida. “Abra aqui” e puf! Espalha-se o esparguete todo no chão. É preciso paciência para tudo e mais um par de botas. Mas vá, estamos habituados porque todos fomos sendo educados para esta história de ter paciência. Só que nestes últimos dois anos já gastámos quase todas as nossas reservas desta grande virtude. Diria que a maioria já só tem um ou dois tracinhos de reservas, no máximo. Se formos para os saldos do Colombo ficamos logo sem nada por isso o melhor é nem arriscar situações limite. Estes últimos tempos foram um tanto desgastantes. Mostraram-nos que quando achamos que já estamos a salvo de uma pandemia mundial lá vem mais uma nova vaga, uma nova variante, uma nova investigação, novas medidas, novas caras a dizer novas recomendações. Que chatice! Mais do que sermos testados à Covid-19 estamos a ser testados a nível de quê, adivinhem lá? Testados ao nível da nossa paciência. Quem vai realmente sair vitorioso destes anos atípicos são aqueles que continuaram a ser pacientes e que ainda acrescentaram a esta virtude uns pozinhos mágicos de resiliência. Esses são os fortes. Aqueles que apesar de tudo continuaram a estar lá para os outros mesmo quando se sentiam à beira de um limite. De cansaço. De falta de esperança. De saudades de um abraço. Os fortes são os que não desistem, que mesmo nos dias menos bons aprendem a descansar e a… ter paciência. Por isto e por muito mais, os meus votos para este novo ano são que não deixemos esgotar as nossas reservas de paciência. Força, guerreiros. Que como diz o outro “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.” Um Feliz 2022!

A Voz Impresso | Série: 3 | Nº 38 | Dezembro | 2021 | Autoria: Filipa Brízida | Foto: Anna Shvets

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