Controlo da processionária no concelho de Oeiras

O Município de Oeiras tem vindo a alertar os cidadãos, através das suas redes sociais, para a existência de ninhos de Processionária neste concelho, também conhecida como lagarta da borboleta processionária-do-pinheiro, faz o ninho nos ramos mais altos dos pinheiros, que ficam com um aspeto de “novelo esbranquiçado.

Esta é a altura do ano, de fevereiro até maio, que são necessários mais cuidados com a lagarta do pinheiro, ou lagarta processionária, praga que ataca sobretudo os pinheiros e que nesta fase desce o tronco das árvores em fila, como numa procissão, daí o seu nome comum: Processionária, que para se enterrar, fica mais próxima dos seres humanos e animais. Importa, por isso, ter cuidados adicionais.

A processionária pode representar um problema de saúde pública, especialmente durante o inverno e até à primavera, uma vez que nesta altura a lagarta desenvolve pelos urticantes que causam alergias na pele, olhos e aparelho respiratório, sendo quase sempre motivo para uma ida ao hospital.

Embora não haja perigo desde que não sejam tocadas são recomendadas as seguintes ações:

– Evite as zonas de pinheiros onde existam ninhos com aspeto de novelo de seda, e/ou lagartas no solo;

– Impeça que crianças e animais toquem nas lagartas;

– Em caso de aparecimento de urticária ou outra reação alérgica, dirija-se ao posto médico mais próximo ou em caso de cães levar ao veterinário;

– Contactar a CMO através dos canais adequados:
Linha Verde do Ambiente » 800 201 205
Plataforma O Meu Bairro
Alertando para a existência de ninhos e/ou lagartas, com a localização exata da ocorrência, para que se possa intervir com rapidez.

A Câmara Municipal de Oeiras informa ainda que tem em curso diversas medidas preventivas de combate à lagarta do pinheiro por todo o concelho, através de procedimentos seguros para as pessoas e animais e para “além das ações de controlo químico” informa que existem no concelho hà alguns anos perto de uma centena de ninhos construídos para o chapim-azul.

Felizmente existe esta pequena ave, o chapim-azul (Cyanistes caeruleus) que não se incomoda com os pelos urticantes e alimenta-se da lagarta, proporcionando o controlo biológico desta praga.

O chapim-azul “é um dos recursos de controlo biológico da lagarta-do-pinheiro (ou processionária-do-pinheiro) e uma das apostas do Município de Oeiras para o controlo desta praga no concelho, para além das ações de controlo químico.

Esta pequena ave não se incomoda com os pelos urticantes e alimenta-se da lagarta, proporcionando o controlo biológico da sua população. No concelho de Oeiras, o Município se utiliza este recurso através do reforço e da monitorização das caixas-ninho para chapins. Atualmente existe perto de uma centena de caixas-ninho distribuídas pelo Concelho.”

Durante as monitorizações realizadas em 2020, verificou-se que 39% dos ninhos se encontravam ocupados, na sua grande maioria por chapim-azul e durante o ano de 2021, a utilização das caixas-ninho pelo chapim-azul superou as expetativas. Os resultados são animadores e indicam o sucesso deste projeto, que além de promover o controlo da processionária, permite promover a biodiversidade em meio urbano.

Por se tratar de uma ave cavernícola (que constrói o seu ninho em cavidades) e tendo em conta que em meio urbano pode haver escassez deste tipo de estruturas, quer pela inexistência de árvores mortas quer pela presença de espécies exóticas que competem por estes locais, a colocação de mais caixas-ninho torna-se essencial assim como preservar áreas naturais onde a biodiversidade possa prosperar, e assim autocontrolar esta praga.

caixa-ninho para chapim-azul
caixa-ninho para chapim-azul

A redução do número de morcegos (também eles predadores da lagarta) por influência de ação humana no concelho que vem invadindo e reduzindo o seu habitat e também a existência de cada vez exemplares de aves predadoras residentes tem vindo a permitir o proliferar destas colónias de Thaumetopoea pityocampa, vulgo processionária.

Convidamos ainda os nossos leitores a registarem sons de aves e a procurarem chapins no concelho, com uma aplicação que as identifica em alguns segundos, a app BirdNET, visto os belos chapins, como outras pequenas e irrequietas aves serem mais fáceis de identificar pelo seu cantar do que com a também possível mas mais difícil tarefa de as fotografar.

As aves fazem muito mais do que cantar e o mais colorido dos chapins portugueses alimenta-se de insetos e lagartas, nomeadamente a lagarta do pinheiro (Thaumetophoea pityocampa), mas também de sementes, assim como de pólen e néctar, sendo, por isso, um importante agente polinizador, dispersor e controlador de pragas. É igualmente muito fotogénico, estando-lhe, por isso, associadas atividades como a fotografia de natureza.

Fotos: CMO, Diogo Oliveira e pxhere

Quantas estrelas esse artigo merece?

Classificação média 5 / 5. Votos: 3

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a classificar esse artigo

Como você achou este artigo útil ...

Partilhe-o nas redes sociais

Lamentamos que este artigo não lhe tenha sido.

Ajude-nos a melhora-lo!

Diga-nos como podemos fazê-lo.

close

Quer receber as nossas notícias em primeira mão?

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Rui Veiga

Da primária ao secundário, nas escolas da Vila, da Ginástica no CDPA à Natação e ao Polo Aquático na piscina da Escola Náutica, muito aprendi nesta terra onde vivo. Hoje com formação em História de Arte e Desenho, abracei o desafio da Voz de Paço de Arcos, de ajudar a manter um jornalismo cívico, público, de contato próximo e comunitário.

    2 thoughts on “Controlo da processionária no concelho de Oeiras

    • 05/02/2022 at 12:38
      Permalink

      Parabéns pela edição em formato digital de A Voz de Paço de Arcos.
      Óptima iniciativa que terá de ser compreendida pelos oeirenses, do esforço que a publicação tem feito e quer continuar a fazer na divulgação dos muitos diversos valores desta região, em prol de um aumento do nível cultural daqueles que descobrem o Concelho e daqueles que por aqui sempre viveram e com tanto para contar, têm a possibilidade de o transmitir na linha de uma Democracia que se quer límpida e que nos faça acreditar que esta geografia de Oeiras deslumbrante no seu enquadramento com o estuário do Rio Tejo é Paisagem que tem de ser defendida diariamente, talvez até pela sua fragilidade sísmica, num tempo em as mudanças de Clima nos convocam a perceber que a cadeia da Biodiversidade não deve ser mais desequilibrada, para não se correr o risco de maiores catástrofes a que se vão assistindo de forma que nos surpreende nestes primeiros vinte anos do século vinte e um.
      Assim A Voz manter assuntos sobre Ecologia, Biodiversidade ou Natureza talvez seja importante para que os oeirenses se motivem e interessem pelos solos e os compreendam, até porque a sua fertilidade é preciosa no presente e para as gerações futuras e muitos ainda se lembram destas searas ondulantes e das aves que as sobrevoavam.
      Obrigado a toda a equipa.

      Reply
      • 08/02/2022 at 0:04
        Permalink

        Prezado Batista,
        Muito obrigado pela gentis palavras. Sendo o primeiro comentário e com tal qualidade, percebemos isso com sinal de bons augúrios o que nos anima a vencer a inércia desses primeiros tempos do jornal online. Estamos a disposição e mesmo abertos àqueles que desejem ter uma relação mais estreita. Se for caso, fica o convite.

        Reply

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

    Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

    Usamos cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência em nosso site.