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Relacionamento do Homem com a Natureza

A Voz Impresso | Série: 3 | Nº 39 | Fevereiro| 2022 | Autoria: Eduardo Barata | Foto: Andrea Vera Sasso

Somos cerca de oito biliões de seres humanos a ocupar uma superfície limitada que constitui o espaço onde habitamos e recolhemos as condições de sobrevivência. Segundo alguns críticos ambientalistas, o nosso planeta não está adaptado para receber mais do que cinco biliões sem comprometer o equilíbrio estável da vivência na superfície da Terra, nosso único habitat, (parafraseando um chavão: não existe um planeta B).

Estamos em permanente interação com a Natureza, trocando matéria, energia e informação. Cada ser vivo que habita a Terra está envolvido com o mundo que o cerca. Não existe vida sem relação com todo o resto. O corpo humano não está isolado do ambiente em que vive e necessita dele para manter sua individualidade. Existe na Natureza um confronto com todos os animais e seres e mesmo com a condição ambiental com a qual estamos quase sempre em conflito (o paraíso continua no nosso imaginário!). Para continuarmos vivos precisamos de adaptarmo-nos e manter a nossa integridade num meio em constante transformação e potencialmente hostil. Atenção: Na Natureza não existe risco zero!

A espécie humana age na Natureza ou sobre o meio ambiente, muito mais intensamente do que os outros animais. Devido à sua inteligência, sobrepõe-se e impõe a sua presença, aumentando a densidade populacional e retirando espaço às outras espécies. O homem atua na natureza não somente para retirar o necessário para sua sobrevivência, mas também para satisfazer necessidades socialmente construídas, que vão desde a procura de um ambiente de conforto e bem-estar ao excesso do consumismo.

Essas necessidades, muitas vezes criadas pelo próprio engenho humano, aumentam de acordo com a complexidade cultural e socioeconómica das diferentes sociedades. Com a globalização, o conhecimento dos avanços e melhorias tecnológicas, chega a todos os recantos do mundo acabando por criar desníveis nas diferentes sociedades. Diferenciam-se as regiões e os países que não acompanham os mais ricos e adaptados, criando um fosso de injustiça gritante.

Ao longo da história da Terra, muitas espécies desapareceram, dando lugar a outras, pois o ambiente já não seria adequado à sua existência e provocou mutações ou evolução para novas formas de vida. A vida, porém, continua. É a grande diversidade de formas vivas que garante sua continuidade. Em termos meramente biológicos deveríamos ter muito mais respeito pela vida pois esta é uma luta constante pela sobrevivência. (Pascal, chamava-lhe “Élan Vital”) Nós humanos, que nos autodenominamos Homo Sapiens, aparecemos no cenário da Terra há menos de 100 mil anos, criámos a denominada era do Antropoceno. Intervalo temporal muito curto se comparado ao tempo de existência de muitas outras espécies animais que habitaram o planeta há algumas dezenas de milhões de anos.  Nestes últimos séculos, desde a Revolução Industrial e agora a Digital, as mudanças no meio ambiente causadas pelo uso de novas tecnologias muito invasoras, têm produzido alterações na composição do ar, das águas, do regime dos ciclos climáticos, da temperatura, da incidência da radiação solar que chega à superfície do planeta, o que leva à criação de um ambiente inadequado para muitos seres e põe em risco a nossa própria sobrevivência. Talvez, também, estejamos condenados a ser uma das espécies que tiveram pouco tempo de existência no ciclo terreno.

Visualmente identificamo-nos como indivíduos, dotados de um corpo único, mas será necessário lembrar que realmente somos um composto de muitos organismos invisíveis aos nossos olhos (células, micróbios, bactérias, leveduras), alguns muito primitivos, mas, fundamentais para a nossa existência (constituem o denominado microbioma).

 O ser humano adapta-se às condições exteriores numa permanente transformação, com um processo dinâmico, mutável e elástico, mas que tem seus limites. Se o mundo que nos cerca sofrer alterações maiores, poderemos deixar de ser viáveis. É assim a vida na Terra: ela tem uma história, porém não sabemos qual será o seu fim. É pela grande diversidade de formas vivas que a Natureza garante sua continuidade. conseguindo manter o equilíbrio, recompondo-se e minimizando os estragos. Mas tudo no universo tem um limite!

A educação ambiental aponta para uma solução: a conscientização ambiental e a construção de uma nova relação entre o homem e a natureza. Conhecendo melhor a crise ambiental que ameaça a sobrevivência de todas as espécies vivas, inclusive a dos seres humanos, estes provavelmente vão ter uma forma diferente de interferir com o meio ambiente. Será necessário procurar entender como ela tem sido construída ao longo da história e respeitar o seu ciclo evolutivo, construindo um novo relacionamento, principalmente com os modos de produção maximalista de bens e o consumo desproporcionado recorrendo à seiva da Terra. Impõe-se a criação de uma nova relação entre o homem e a Natureza, diferente de todas as anteriores: mais sustentável, equilibrada e duradoura.

Essa alteração de comportamento com a mãe Natureza também se faz sentir, ao invadir espaços ecológicos reservados, trazendo para a comunidade, situações inusitadas. O mundo moderno já não permite ter segredos (reservas ecológicas), todos os espaços por mais recônditos, estão a ser devastados, alterando mais uma vez o equilíbrio e promovendo o inesperado, como seja, o aparecimento de um novo  vírus, desconhecido, que subitamente em contato com uma nova comunidade, desencadeia um processo evolutivo imparável como é o caso das viroses, geradoras de pandemias. São exemplo disso a influenza aviária, peste porcina, corona vírus em visons, e guaxinim, o HIV, etc.) O problema das alterações no contexto da sustentabilidade é variado e tem de ser considerado num todo.

Eduardo Barata – Oeiras – Janeiro 2022

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